Sábado, Junho 17, 2006


STONEWALL: Onde tudo começou
Joana Penteado
e Maria Isabel Hossri

Ano de 1969. Uma semana após o Homem pisar na lua pela primeira vez, os freqüentadores do Stonewall Inn, pequeno bar localizado no Greenwich Village em Nova York (EUA), nem imaginavam que também entrariam para a História.

Em 27 de junho, o bar destinado ao público homossexual foi palco de uma batida policial. Embora o bar não fosse assumidamente gay, o que era proibido naquela época, a maior parte de seus clientes fazia parte deste segmento. Prisões e batidas policiais aconteciam com frequência em bares freqüentados por gays em Los Angeles e Nova York Em Stonewall, porém, foi a primeira vez que os gays reconheceram a opressão que sofriam e tomaram conhecimento de que aquilo precisava ser mudado.

Em um protesto violento, cerca de 400 pessoas revoltaram-se contra as prisões que estavam sendo feitas em Stonewall. Na noite seguinte, mais um grupo de pessoas reuniu-se em frente ao bar e protestou contra a ação da polícia. Após os incidentes, por dias seguidos, foram publicados em diversos jornais, como o The New York Times, artigos sobre a revolta e, senão apoiando, não atacando os homossexuais. Alguns, especialmente o Village Voice, deram todo o apoio aos rebelados.

Depois de alguns dias, membros de duas ONGs, (Mattachine Society, voltada para os gays e Daughters of Bilitis, voltada somente para as lésbicas) reuniram-se próximo dali, em Washington Square, num protesto que contou com cerca de 500 pessoas e foi considerada a primeira “Reunião da Força Gay (Gay Power)”.

A Mattachine Society foi uma ONG fundada em Los Angeles, em 1951 e tinha o objetivo de educar o público sobre a homossexualidade, dar assistência aos gays e ajudá-los a tratar de problemas como discriminação e injustiças, que eram causados devido o conservadorismo da sociedade. Era grande o número de homossexuais que se sentiam injustiçados perante a lei. Já a Daughter of Bilitis foi fundada em 1955, em São Francisco e teve seu nome retirado do livro “Canções de Bilitis” do autor francês Pierre Louy, que continha poemas que relatavam histórias de amor entre mulheres. A proposta da entidade era proporcionar às lésbicas um local de encontro fora dos bares, além de ajudá-las e instruí-las a reivindicarem seus direitos civis. Mas nenhuma das duas jamais tivera uma atuação tão às claras como naquele ano. A multidão de gays, lésbicas e travestis também voltou mais organizada, com uma atitude mais política, e alguns começaram a pichar frases nas vitrines e nas paredes, reclamando direitos iguais. Outros gritavam exigindo o fim das batidas nos bares gays. Novamente a multidão atirou pedras e garrafas em direção aos policiais e novamente a polícia investiu contra os manifestantes.

No terceiro dia, um domingo, as coisas pareciam ter voltado ao normal e o bar Stonewall foi reaberto. Seus clientes habituais voltaram, a polícia os deixou em paz por um tempo e os jornais acabaram se ocupando de outros assuntos. Mas na verdade tudo havia mudado. A partir daquele dia aqueles gays lésbicas e travestis perceberam que nunca iriam ser aceitos pela sociedade se ficassem apenas esperando e dependendo de sua boa vontade. A rebelião mostrou a eles que a atitude que deveria ser tomada era a do enfrentamento. O discurso mudou. Nada mais de pedir para ser aceito: era preciso exigir respeito.

A primeira Parada aconteceu em Nova York, um ano após o ocorrido. Stonewall, então, virou sinônimo de libertação sexual para o público homossexual. Muitas outras Paradas se seguiram a essa, em Washington, San Francisco e outras capitas dos Estados Unidos e do mundo. Já no Brasil, o processo foi mais longo. Apenas uma década depois, em 1978 seria criado o primeiro grupo gay, o paulistano Somos, que “abriu as portas” para outros grupos de apoio aos homossexuais. A década de oitenta chegou e de certa forma, ajudou o número de grupos de homossexuais a crescer, pois foi nessa época que surgiu a AIDS e suas adversidades. Estes grupos gays foram pioneiros na luta contra a doença – que, hoje sabemos, atinge todas as pessoas.

Hoje, o Dia Mundial do Orgulho Gay é comemorado em 28 de junho em mais de 140 países. Em homenagem ao “dia da batida policial” no Stonewall, aconteceram este ano – só no Brasil – 40 Paradas Gays, de maio a setembro, concentrando-se em junho. Inclui-se nessa lista a Parada do Orgulho GLTB de São Paulo, atualmente a maior do mundo, com um público estimado em 2 milhões e meio de pessoas. Ano passado, até o presidente Lula se manifestou: “A importância das paradas, que vem se espalhando pelo país e pelo mundo, é exatamente dar visibilidade aos homossexuais, bissexuais e transgêneros, que por muitos séculos não puderam se expor, muito menos reivindicar seus direitos como qualquer outro cidadão. A sociedade brasileira tem se sensibilizado com a luta pela visibilidade da diversidade sexual. Como diz Milton Nascimento: ‘Qualquer maneira de amor vale a pena. Qualquer maneira de amor vale amar’.” Foi a primeira vez que um presidente da República reconheceu as Paradas Gays.

http://www.e-jovem.com/tema19.html

Sábado, Maio 13, 2006


PARTICIPE !!!
O Grupo E-Mogi é uma célula do grupo E-Jovem, um grupo para adolescentes gays, lésbicas e bissexuais inédito em nossa cidade. Ainda estamos em fase de iniciação, por isso sua participação é importante para o nosso crescimento.
No E-Mogi, você vai fazer novas amizades, discutir assuntos da atualidade, tirar duvidas sobre sexualidade, pedir ajuda em casos do cotidiano... Se você é adolescente, entre para o grupo e aproveite e chame seus amigos !!!
Estou te esperando !!!
PARA ENTRAR NO GRUPO DIGITE SEU EMAIL NA CAXINHA AO LADO OU ACESSE A PAGINA DO GRUPO:
G. DON

Quarta-feira, Maio 10, 2006

Ser gay hoje em dia

Pois é, a gente percebe a diferença de se ser gay hoje em dia e antigamente...
Não TÃÃO antigamente assim, claro, porque tenho 30 anos... Mas posso dizer que nos anos 80 e 90 era bem diferente – caso alguém da nova geração ainda não tenha se dado conta disso.
A mídia está toda do nosso lado, artistas, cientistas... As leis nos protegem como nunca antes se havia sonhado. Lembro-me daquele conto de Caio Fernando Abreu (saudoso...), “Aqueles Dois”. Era a história de dois homens que se apaixonaram no escritório onde ambos trabalhavam. Eles nunca perturbaram a ordem do ambiente de trabalho, mas os colegas fizeram um complô contra eles e os dois acabaram demitidos pelo chefe, por sinal homofóbico demais, chegando a alegar a necessidade de se “manter a boa imagem da empresa”.
Bem, a história é realista, apesar de romântica, mas trata-se de um realismo totalmente ANOS OITENTA. Imagine só se o fato se passasse na atualidade! Não só a empresa teria que indenizar, como também terminaria, por ferir os BONS COSTUMES DA ÉTICA E DA CONVIVÊNCIA.
Mas sei que ainda é complicado assumir publicamente, para alguns. Cada caso é um caso.
O problema agora é outro: existem homossexuais que, se aproveitando da onda de liberação/liberdade estimulada pela mídia e demais instituições, ABUSAM dessa mesma liberdade e acabam queimando o filme dos demais homossexuais. São os que poderíamos chamar HETEROFÓBICOS. Se acham os tais, e fazem questão de chocar e escandalizar.
É por isso que o Grupo E-Jovem é tão legal: sua proposta é obter ALIADOS entre os heterossexuais. Ser gay é um estado de espírito (Gay – Alegre, em inglês), antes mesmo que uma preferência sexual. O Mundo Gay pode, sim, ser perfeitamente compartilhado com a heterossexualidade.
Se cada um de nós for realmente digno de respeito, poderemos ser plenamente aceitos pela sociedade, com o passar do tempo.
Muitos grupos já cuidaram de garantir nossos direitos e fizeram sua parte, e sua História. Somos vitoriosos. Mas nosso trabalho agora deve ser em outra direção: pensarmos no que significa ser homossexual, e em como vivermos corretamente nossas vidas, com a nossa identidade sócio-cultural.

Tibério Lobo

E-M: tiberiolobao@yahoo.com.br
http://www.orkut.com/Profile.aspx?uid=10813157216926204117
http://tiberiolobo.blogspot.com/

Segunda-feira, Maio 01, 2006

SEXUALIDADE

A sexualidade é uma necessidade básica do ser. É inerente á todos os seres humanos independentemente de raça, cor, sexo, nível intelectual ou sócio econômico. É uma dádiva da natureza, uma força perceptível desde a formação do indivíduo como um todo. A sexualidade humana nos dias de hoje, em pleno século XXI, ainda é vista como assunto de muita complexidade em ordem e grandeza. Por questões culturais ou religiosas em determinados segmentos da sociedade, não se fala sobre a sexualidade de forma aberta ou pouco se explora a questão como um assunto absolutamente normal. Já os apelos à sexualidade estão presentes em novelas, filmes, outdoors, revistas, livros e, principalmente, na troca de experiências com amigos da mesma idade. Essa exposição desenfreada na mídia, associada à uma ineficaz educação sexual por partes de educadores, tem sido o maior entrave para o desenvolvimento sadio da sexualidade. Somente uma parcela, e não a totalidade dos jovens brasileiros de ambos os sexos, é alvo de algum tipo de orientação sexual. E, mesmo os que recebem ensinamentos, em casa ou no colégio, as informações não são suficientes para uma formação propriamente satisfatória. Por isso o propósito deste trabalho é mostrar e orientar sob um ângulo diferente, de uma forma mais suave, maleável e aberta sobre a sexualidade humana e mitos circundantes dentro deste assunto ainda repleto de tabus. Esta mais do que na hora de rever conceitos e valores; é chegada a hora de uma revolução neste campo que muito se tem a dizer a respeito.Ao falar sobre a sexualidade, jamais podia-se deixar de lado um outro segmento relacionado a este assunto como; a homossexualidade com maior enfoque ao qual destina-se o objetivo deste trabalho, duvidas com relação as práticas sexuais; sexo oral, anal, masturbação, doenças sexualmente transmissíveis ou DST, virgindade e até questões mais simples que ainda são dúvidas freqüentes para muitos: tamanho do pênis, sexo & amor entre tantas outras dúvidas ainda presentes no nosso dia-dia.Com isso, nosso objetivo é unico, apenas esclarecer.

-Sexo Oral
- Sexo Anal
- Orgasmo
- Masturbação
- Virgindade
- Sexo & Drogas
- O Pênis e o Tamanho
- Doenças Sexualmente Transmissíveis

Lembrando que, exercer a sexualidade não significa ser irresponsável, libertino, promíscuo. Cada qual deve vivenciá-la sem agredir ou se macular dentro de seu contexto moral e ético. Mas as reformulações são indispensáveis porque é preciso aprender a amar e a fazer o amor sem mistérios, sem barreiras, com equilíbrio para atingir e plenitude existencial que todos almejam.

Domingo, Abril 30, 2006

"Às vezes não nos encaixamos. Na verdade, nunca nos encaixamos. E é tão triste isso, saber que estamos fadados à solidão, ficar à margem de tudo. As pessoas, a sociedade, nos punem por nossas escolhas. Somos responsabilizados e punidos por nossa força, independência, pagando caro por sermos diferentes. Mas isso tira o nosso prazer? Valeria a pena desistir de nós mesmos só porque encontramos opressão? Eu diria que não. E acho que muitas outras pessoas daqui concordariam comigo.
Prefiro o sofrimento que a morte. E desejo viver, não apenas existir...
E por isso vim parar aqui... Vim buscar pessoas parecidas comigo.
É engraçado sabe, caí em uma teia de questionamentos, porque, se havia mais pessoas que nem eu, isso significava que eu não estava sozinho, e muito menos à margem. Tenho pessoas que possam me ajudar, a lutar comigo pelo o que acredito, pelo o que acreditamos. E, agora, discordo comigo mesmo quando disse que estamos fadados a solidão - nós temos companhia; precisamos dela para conquistar nosso espaço, nossa revolução, interna, e em conseqüência, a revolução externa. E todo mundo aqui somente deseja encontrar paz, viver feliz, sem privações. E todo mundo aqui somente deseja sair na rua, de mãos dadas, sorrindo, sem ser depreciado.
Temos tanto, e mais valor do que todo esse mundo podre que nos cerca. E fazemos parte desse mundo podre e, sim, podemos ser podres também por vivermos nele. Mas eu não quero ser podre; não sei quanto a vocês, mas eu não quero. Então, por que não mudar tudo isso? Dar uma chance a todas as outras pessoas, a chance que elas não nos deram?
Estamos aqui, hoje, em busca de sonhos. Sonhos sim, e não ilusões. E vamos conseguir realizá-los, eu sei. Pelo menos acredito. E se não conseguirmos, tentaremos até as últimas conseqüências. Afinal, prefiro sofrer que morrer, e não encontraremos paz se evitarmos a vida.
Justo nós, todos, podemos mudar o Mundo. Podemos conseguir nossa felicidade.
Todos juntos temos sonhos parecidos, anseios, e que podemos tornar realidade.
E, enfim, todos juntos lutaremos por um Mundo melhor.”

- Rafael Bradock, 15 anos (E-Poa)